AE Administração Estratégica
Capítulo 1

Pensamento
Estratégico

Capa do livro Administração Estratégica: da teoria à prática no Brasil
Antes de iniciar

Quem somos?

01

Estratégia começa com o repertório de quem está na sala.

NomeCursoExperiênciaExpectativas
Objetivo: uma breve apresentação para mapear perspectivas e interesses.
Pessoa segurando um cartão com ponto de interrogação
Docente

Apresentação acadêmica

02
01

Formação

Administrador · FMSControladoria e Finanças · UFLAMestre em Administração · UNESADoutor em Administração · FGV/EBAPE
03

Destaques

Comitê científico ESO · 2018–2020Ex-editor-chefe fundador RASI · 2015–2019Diretor científico CASI · 2015–2023Diretor científico SPPa · desde 2023100+ artigos · 5 livros · 12 capítulos
04

Interesses

Opção decolonialAtividade política corporativaNeurodiversidadeEstratégias de mercado e não mercadoAnálise crítica do discurso
Produção autoral

Livros

03
Capa do livro Administração: conceitos, teoria e prática

Administração

Conceitos, teoria e prática

Capa do livro Tecnologias de Gestão nos Institutos Federais de Ensino

Tecnologias de gestão

Promovendo soluções

Capa do livro Gestão nos Institutos Federais de Educação

Gestão nos IFs

Experiências e aplicações

Capa do livro Contos Atômicos e Desventuras Nucleares

Contos Atômicos

& Desventuras Nucleares

Ponto de partida

Estratégia não oferece segredos — oferece lentes

04

Não existe fórmula universal

  • O ambiente permanece incerto
  • Decisões combinam análise e julgamento
  • Planejar não elimina o risco
  • Multiplas e desconhecidas variáveis

Existe trabalho estratégico

  • Conhecer conceitos e ferramentas
  • Interpretar contexto e capacidades
  • Transformar intenção em ação
Ideia-chave: aprender estratégia é ampliar a qualidade das perguntas e das escolhas.
Complexidade

O fenômeno muda quando mudamos a lente

05
01

Deliberado

Planos, escolhas formais e controle orientam a ação.

02

Emergente

Aprendizado, negociação e adaptação também formam estratégia.

03

Interno

Recursos, capacidades, cultura e cognições moldam possibilidades.

04

Externo

Mercados, rivais, sociedade e instituições impõem condições.

História crítica

A história da estratégia não é uma linha reta

06

Narrativa convencional

  • Atenção às cronologias com "grandes saltos temporais"
  • Emprego retórico de uma suposta historicidade do campo de conhecimento
  • Origem associada a pirâmides e exércitos [...]

Leitura mais rigorosa

  • Longos períodos de transição
  • Ideias coexistem e se contestam
  • A sistematização das ideias levou muito tempo
Cuidado: cronologias ajudam a ensinar, mas não provam rupturas absolutas.
Evolução temporal

Ciclos (não estanques) do pensamento estratégico

07
1950

Orçamento

Controle contábil e financeiro.

1960

Planejamento

Crescimento, previsão e sinergia.

1970

Corporativa

Portfólios e unidades de negócio.

1970–80

Indústria

Setores, concorrência e atratividade.

1980–90

Vantagem

Recursos, competências e resposta.

1990–2000

Valor

Inovação, redes e aprendizagem.

2000-atual

Sustentável / Inteligente

Governança, instituições, prática, IA [...]

Vantagem competitiva

Dois métodos de raciocínio complementares

08
Dedução · do geral para o específico

Posicionamento competitivo (Michael Porter)

  • Começa pelo ambiente externo
  • Prioriza setor, mercado e rivalidade
  • Busca posição superior aos concorrentes
  • A cadeia de valor responde ao mercado
Indução · parte de casos particulares e repetidos para criar uma regra geral ou provável.

Visão baseada em recursos (Jay Barney)

  • Começa pelo ambiente interno
  • Prioriza recursos, competências e capacidades
  • Busca atributos difíceis de imitar
  • A cadeia de valor sustenta a posição
Complementaridade: atratividade externa e singularidade interna precisam dialogar.
Safári de estratégia

Entre a Prescrição e a Descrição

09
Quatro pessoas observam diferentes partes de um elefante azul, representando múltiplas perspectivas
03

Escolas prescritivas

Como a estratégia deve ser formulada.

DesignPlanejamentoPosicionamento
07

Escolas descritivas

Como a estratégia se forma na prática.

AtoresAprendizadoContexto
Prescrição

Três escolas formalizam a escolha estratégica

10
D

Design

Concebe a estratégia ajustando forças e fraquezas a oportunidades e ameaças.

Processo conceptivo
P

Planejamento

Traduz a formulação em programas, planos, técnicas e mecanismos de controle.

Processo formal
A

Posicionamento

Analisa indústria, concorrência e alternativas genéricas de posição competitiva.

Processo analítico
Descrição

Sete escolas mostram como a estratégia emerge

11
01

Empreendedora

Visão e iniciativa do estrategista.

Processo visionário
02

Cognitiva

Percepções e processos mentais.

Processo mental
03

Aprendizado

Ação, experiência e emergência.

Processo emergente
04

Poder

Negociação e influência entre atores.

Processo de negociaçãoo
05

Cultural

Valores, significados e conhecimento tácito.

Processo coletivo
06

Ambiental

Adaptação às forças do contexto.

Processo reativo
07

Configuração

Ciclos de estabilidade e transformação.

Processo de transformação

Em conjunto

A estratégia pode ser visionária, política, social e adaptativa.

Resultados × processos

Perspectivas de Whittington (2004)

12
Quatro perspectivas de Whittington Matriz com resultados entre maximização dos lucros e pluralidade, e processos entre deliberados e emergentes. Clássicafoco interno e nos planosEvolucionáriamercados + seleção naturalSistêmicafoco na sociedadeProcessualpolítica + cognição MAXIMIZAÇÃO DOS LUCROSRESULTADOS PLURAISPROCESSOS DELIBERADOSEMERGENTES
Quatro perspectivas de Whittington

Uma lógica para cada quadrante

13
Anos 1960

Clássica

Estratégia
Formal
Foco
Planos internos
Processo
Analítico
Resultado
Lucro
Influência
Economia/Militar
Anos 1970

Processual

Estratégia
Elaborada
Foco
Política e cognições
Processo
Negociação e aprendizagem
Resultado
Impreciso
Influência
Psicologia
Anos 1980

Evolucionária

Estratégia
Eficiente
Foco
Mercados
Processo
Seleção
Resultado
Sobrevivência
Impreciso
Influência
Economia/Biologia
Anos 1990

Sistêmica

Estratégia
Inserida
Foco
Sociedade
Processo
Social
Resultado
Local e plural
Influência
Sociologia
Contexto brasileiro

Quase 40% da produção escapou do modelo importado

14

Estratégia empresarial: a produção científica brasileira entre 1991 e 2002

Carlos Osmar Bertero · Flávio Carvalho de Vasconcelos · Marcelo Pereira Binder

303

artigos analisados

Panorama nacional da pesquisa em estratégia.

121

sem enquadramento

Não aderiram às quatro perspectivas.

39,9%

fora das categorias

Um sinal dos limites da lente importada.

Pistas do futuro

O campo precisa ampliar seu vocabulário

15
01

Estado e regulação

Estratégia deve preocupar-se com atores públicos, intervenção e geopolítica.

02

Instituições e prática

Escolhas são socialmente construídas e situadas em contextos específicos.

03

Teoria e prática

Aproximar academia e organizações fortalece relevância e legitimidade.

04

Inteligência artificial

Novos modelos decisórios reabrem o debate sobre racionalidade e cognição.

Síntese

Quatro ideias para levar adiante

16
04
Não há uma única estratégia. Há lentes que revelam dimensões distintas.
As ideias não se substituem por completo. Elas coexistem e entram em disputa.
Exterior e interior são complementares. Posição e recursos explicam partes do desempenho.
Contexto importa. Teorias precisam dialogar com instituições, história e prática local.