AE Administração Estratégica
Capítulo 1

Pensamento
estratégico

Das prescrições às múltiplas perspectivas

Márcio Moutinho Abdalla2026
Capa do livro Administração Estratégica: da teoria à prática no Brasil
Livro-base da disciplina
Antes de iniciar

Quem somos?

01

Estratégia começa com o repertório de quem está na sala.

NomeFormaçãoExperiênciaExpectativas
Docente e turma: uma breve apresentação para mapear perspectivas e interesses.
Pessoa segurando um cartão com ponto de interrogação
Docente

Apresentação acadêmica

02
01

Formação

Administrador · FMSControladoria e Finanças · UFLAMestre em Administração · UNESADoutor em Administração · FGV/EBAPE
03

Destaques

Comitê científico ESO · 2018–2020Ex-editor-chefe fundador RASI · 2015–2019Diretor científico CASI · 2015–2023Diretor científico SPPa · desde 2023100+ artigos · 5 livros · 12 capítulos
04

Interesses

Opção decolonialAtividade política corporativaNeurodiversidadeEstratégias de mercado e não mercadoAnálise crítica do discurso
Produção autoral

Livros

03
Capa do livro Administração: conceitos, teoria e prática

Administração

Conceitos, teoria e prática

Capa do livro Tecnologias de Gestão nos Institutos Federais de Ensino

Tecnologias de gestão

Promovendo soluções

Capa do livro Gestão nos Institutos Federais de Educação

Gestão nos IFs

Experiências e aplicações

Capa do livro Contos Atômicos e Desventuras Nucleares

Contos Atômicos

& Desventuras Nucleares

Ponto de partida

Estratégia não oferece segredos — oferece lentes

04

Não existe fórmula universal

  • O ambiente permanece incerto
  • Decisões combinam análise e julgamento
  • Planejar não elimina o risco

Existe trabalho estratégico

  • Conhecer conceitos e ferramentas
  • Interpretar contexto e capacidades
  • Transformar intenção em ação
Ideia-chave: aprender estratégia é ampliar a qualidade das perguntas e das escolhas.
Complexidade

O fenômeno muda quando mudamos a lente

05
01

Deliberado

Planos, escolhas formais e controle orientam a ação.

02

Emergente

Aprendizado, negociação e adaptação também formam estratégia.

03

Interno

Recursos, capacidades, cultura e cognições moldam possibilidades.

04

Externo

Mercados, rivais, sociedade e instituições impõem condições.

História crítica

A história da estratégia não é uma linha reta

06

Narrativa convencional

  • Grandes autores como marcos sucessivos
  • Progresso cumulativo e ordenado
  • Origem associada a metáforas militares

Leitura mais rigorosa

  • Longos períodos de transição
  • Ideias coexistem e se contestam
  • “Ancestrais” podem legitimar o campo
Cuidado: cronologias ajudam a ensinar, mas não provam rupturas absolutas.
Evolução temporal

Sete ciclos ampliam o pensamento estratégico

07
1950

Orçamento

Controle contábil e financeiro.

1960

Planejamento

Crescimento, previsão e sinergia.

1970

Corporativa

Portfólios e unidades de negócio.

1970–80

Indústria

Setores, concorrência e atratividade.

1980–90

Vantagem

Recursos, competências e resposta.

1990–2000

Valor

Inovação, redes e aprendizagem.

2000+

Sustentável

Governança, instituições e prática.

Vantagem competitiva

Duas rotas complementares explicam o desempenho

08
Dedução · de fora para dentro

Posicionamento competitivo

  • Começa pelo ambiente externo
  • Prioriza setor, mercado e rivalidade
  • Busca posição superior aos concorrentes
  • A cadeia de valor responde ao mercado
Indução · de dentro para fora

Visão baseada em recursos

  • Começa pelo ambiente interno
  • Prioriza recursos e competências
  • Busca atributos difíceis de imitar
  • A cadeia de valor sustenta a posição
Complementaridade: atratividade externa e singularidade interna precisam conversar.
Safári de estratégia

Mintzberg separa prescrição e descrição

09
Quatro pessoas observam diferentes partes de um elefante azul, representando múltiplas perspectivas
03

Escolas prescritivas

Como a estratégia deve ser formulada.

DesignPlanejamentoPosicionamento
07

Escolas descritivas

Como a estratégia se forma na prática.

AtoresAprendizadoContexto
Prescrição

Três escolas formalizam a escolha estratégica

10
D

Design

Concebe a estratégia ajustando forças e fraquezas a oportunidades e ameaças.

Processo mental
P

Planejamento

Traduz a formulação em programas, planos, técnicas e mecanismos de controle.

Processo formal
A

Posicionamento

Analisa indústria, concorrência e alternativas genéricas de posição competitiva.

Processo analítico
Descrição

Sete escolas mostram como a estratégia emerge

11
01

Empreendedora

Visão e iniciativa do estrategista.

02

Cognitiva

Percepções e processos mentais.

03

Aprendizado

Ação, experiência e emergência.

04

Poder

Negociação e influência entre atores.

05

Cultural

Valores, significados e conhecimento tácito.

06

Ambiental

Adaptação às forças do contexto.

07

Configuração

Ciclos de estabilidade e transformação.

Em conjunto

A estratégia pode ser visionária, política, social e adaptativa.

Resultados × processos

Whittington cruza duas escolhas fundamentais

12
Quatro perspectivas de Whittington Matriz com resultados entre maximização dos lucros e pluralidade, e processos entre deliberados e emergentes. Clássicaplanos + análiseEvolucionáriamercados + seleçãoSistêmicasociedade + inserçãoProcessualpolítica + aprendizagem MAXIMIZAÇÃO DOS LUCROSRESULTADOS PLURAISDELIBERADOSEMERGENTES
Quatro perspectivas

Cada quadrante privilegia uma lógica distinta

13
Anos 1960

Clássica

Estratégia
Formal
Foco
Planos internos
Processo
Analítico
Resultado
Lucro
Anos 1970

Processual

Estratégia
Elaborada
Foco
Política e cognições
Processo
Negociação e aprendizagem
Resultado
Impreciso
Anos 1980

Evolucionária

Estratégia
Eficiente
Foco
Mercados
Processo
Seleção
Resultado
Sobrevivência
Anos 1990

Sistêmica

Estratégia
Inserida
Foco
Sociedade
Processo
Social
Resultado
Local e plural
Contexto brasileiro

Quase 40% da produção escapou do modelo importado

14

Estratégia empresarial: a produção científica brasileira entre 1991 e 2002

Carlos Osmar Bertero · Flávio Carvalho de Vasconcelos · Marcelo Pereira Binder

303

artigos analisados

Panorama nacional da pesquisa em estratégia.

121

sem enquadramento

Não aderiram às quatro perspectivas.

39,9%

fora das categorias

Um sinal dos limites da lente importada.

Pistas do futuro

O campo precisa ampliar seu vocabulário

15
01

Estado e regulação

Estratégia precisa explicar atores públicos, intervenção e geopolítica.

02

Instituições e prática

Escolhas são socialmente construídas e situadas em contextos específicos.

03

Teoria e prática

Aproximar academia e organizações fortalece relevância e legitimidade.

04

Inteligência artificial

Novos modelos decisórios reabrem o debate sobre racionalidade e cognição.

Síntese

Quatro ideias para levar adiante

16
04
Não há uma única estratégia. Há lentes que revelam dimensões distintas.
As ideias não se substituem por completo. Elas coexistem e entram em disputa.
Exterior e interior são complementares. Posição e recursos explicam partes do desempenho.
Contexto importa. Teorias precisam dialogar com instituições, história e prática local.